terça-feira, julho 21, 2009

Sempre sonhou

Ele sempre foi muito sonhador
As pessoas sempre o avisaram
Viveu sua vida numa outra realidade
De sonhos, sonhador...

Ia de tênis à praia
Não sambava no carnaval
Andava de noite
Falava com estranhos

Muito sonhador
Viveu um equívoco
E as pessoas falavam...
Mas ele só sonhava

Ele não fazia questão
E não se cuidava também
Ele brincava e estava convicto
E olha que sempre lhe falavam...
Mas ele imprudente nunca ouvia
Até que um dia
Acordou

Ederson R. Zanchetta - 21.07.09

quinta-feira, julho 16, 2009

Cidade futura

Olá, lembra-se de mim?
Como pode ter já se esquecido?
Minha dor continua
Minha amarga desilusão
Minha vidinha moribunda

Eu gostaria mesmo de saber...
Por que tudo é assim?
Por que isso assim é tudo?
Quem fez tudo isso conosco?
Que direito tinha?

É, minha querida...
Eu já a tive para mim um dia
Eu já gostei do ar fresco da manhã
Eu já passei por todos esses lugares
E já contemplei meu buraco

Há algum tempo atrás a cidade era menos populosa
As ruas menos movimentadas
Mas isso parece estar mudando...
O lugar está crescendo
As pessoas aumentando...
E a cidade está ficando mais vazia.

Ederson R. Zanchetta – 02 de Março de 2006


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Achei isto no meu pc arquivado...
O que será que estava acontecendo naquela época?

terça-feira, junho 23, 2009

Dilema

Ainda, que eu soubesse o quê dizer
Ainda, que você soubesse ouvir
Ainda, que soubessem o quê pensar
Eu não teria qualquer lugar
Para ficar tranqüilo, ainda.



Ederson 23.06.09

domingo, junho 14, 2009

Vale Verde


Não quero que reflita em meu rosto
Sombras, cinzas impurezas desse ar
Olho o céu não vejo mais o escuro
Quero vê-lo brilhar

Como os raios coloridos desse sol
Essa liberdade que nunca chega
De portas trancadas, preciso sair

Eu quero sentar num banco de um jardim
Pensando em poder achar um mundo assim
Com flores astrais ao redor de mim
Quero um vale verde pra que eu possa respirar
Enfim...

domingo, maio 31, 2009

A Pedra

A PEDRA

O DISTRAÍDO NELA TROPEÇOU

O BRUTO USOU-A COMO PROJÉTIL

O EMPREENDEDOR, USANDO-A, CONSTRUIU

O CAMPONÊS, CANSADO DA VIDA, DELA FEZ ASSENTO

PARA MENINOS, FOI BRINQUEDO

DRUMOND A POETIZOU

JÁ DAVI, COM ELA MATOU GOLIAS

MICHELANGELO EXTRAIU-LHE A MAIS BELA ESCULTURA

EM TODOS ESSES CASOS A DIFERENÇA NÃO ESTAVA NA PEDRA, MAS NO HOMEM!

"NÃO EXISTE PEDRA NO SEU CAMINHO QUE VOCÊ NÃO POSSA APROVEITÁ-LA PARA O SEU PRÓPRIO CRESCIMENTO"

A VIDA É UMA CONSTANTE APRENDIZAGEM


Autor desconhecido

segunda-feira, maio 04, 2009

Meu quarto


Meu novo quarto...
Não é em Arles e nem na casa amarela, mas é o que há tempos almejava.
Um quarto! Simples assim...
Um quarto! Não é muita coisa, mas já é mais do que um quinto...
Um espaço para se pensar, se refletir, se descansar, se ser...
Pode parecer muito simplista, mas alguns metros quadrados podem conter todo um universo.
Estou muito feliz com essa mudança, acima de tudo pelo meu quarto!
Afinal o infinito é para cima e para baixo. E no meu quarto há todo um universo dentro de mim.

sexta-feira, abril 10, 2009

...

Reticências...
Minha paixão...
Reticências...
Minha razão...

Nem que vivesse minha vida inteira...
Nem que cursasse as mais importantes faculdades...
Conseguiria entender todos os pontos de vista
E explicar...

A simplicidade às vezes parece muito confusa...
E a complexidade deixamos para depois...
Porque tudo está interligado,
Mas cada coisa deve ficar no seu lugar.

Ederson R. Zanchetta
10.04.09
(sou mesmo um amante das reticências...)




"As reticências são os três primeiros passos do pensamento que continua por conta própria o seu caminho." (Mário Quintana)

quarta-feira, fevereiro 11, 2009

...e pilotem aviões.

Tempos difíceis, muitas preocupações, muitos futuros, muitos problemas por dinheiro.

Esses dias comecei a sentir uma saudade estranha de uma linguagem, um jeito de falar antigo que hoje parece ter sido esquecido, pulverizado. Tudo tem parecido tão insosso, mas nesse dia estava mesmo esgotado e, buscando um papo mais familiar, resolvi sair com um amigo.

Sentados estávamos em um lugar público conversando, eis que passa por nós um senhor. Com cara de quem estava em outro planeta, ele pára e diz algumas coisas.

- Estava reparando em vocês, me veio algumas lembranças à cabeça, antes que vocês existissem eu já morava nesta cidade e me sentava nesse mesmo banco. Lembro de uma música que falava assim: "Eu acredito é na rapaziada...". Sabe, vou lhes dizer mais uma coisa. Peguem essas bicicletas e pilotem aviões. Me dão licença? Vou embora...

Ouviu-se um silêncio. E o velho se foi.

domingo, janeiro 25, 2009

Amazing


Eu jogava fora as coisas certas
E guardava as coisas erradas
Tinha um anjo de piedade para me ver através de meus pecados
Teve momentos em minha vida
Em que eu estava indo à loucura
Tentando atravessar
A dor
Quando eu perdí meu controle
E caí no chão
Yeah, eu achei que poderia partir, mas não consiguia sair porta a fora
Eu estava tão doente e cansado
De viver uma mentira
Estava querendo
Morrer

É incrível
Com a piscada de um olho você finalmente vê a luz
É incrível
Quando chega a hora certa você sabe que ficará bem
É incrível
E eu estou rezando para os corações desesperados desta noite

Aquele útimo tiro em Permanent Vacation
E quão alto você consegue voar com as asas quebradas?
A vida é uma jornada, não um destino
Eu só não sei dizer o que o acontece amanhã

Você deve aprender a rastejar
Antes de aprender a andar
Mas eu não escutava o que era certo
Eu estava lá fora
Tentando sobreviver
Me esfolando para ficar
Vivo

É incrível
Com a piscada de um olho você finalmente vê a luz
É incrível
Quando chega a hora você sabe que ficará bem
É incrível
E eu estou rezando para os corações desesperados desta noite

É incrível
Com a piscada de um olho você finalmente vê a luz
É incrível
Quando chega a hora você sabe que ficará bem
É incrível
E eu estou rezando para os corações desesperados desta noite

Aerosmith - Amazing

quarta-feira, janeiro 14, 2009

Virtualmente... Vivendo!??!?!

Entrei apressado e com muita fome no restaurante.
Escolhi uma mesa bem afastada do movimento, pois queria aproveitar os poucos minutos de que dispunha naquele dia atribulado para comer e consertar alguns bugs de programação de um sistema que estava desenvolvendo, além de planejar minha viagem de férias,que há tempos não sei o que são.
Pedi um filé de salmão com alcaparras na manteiga,uma salada e um suco de laranja, pois afinal de contas fome é fome, mas regime é regime, né?
Abri meu notebook e levei um susto com aquela voz baixinha atrás de mim:
-Tio, dá um trocado?
- Não tenho, menino.
- Só uma moedinha para comprar um pão.
- Está bem, compro um para você.
Para variar, minha caixa de entrada estava lotada de e-mails.
Fico distraído vendo poesias, as formatações lindas, dando risadas com as piadas malucas. Ah! Essa música me leva a Londres e a boas lembranças de tempos idos.
- Tio, pede para colocar margarina e queijo também?
Percebo que o menino tinha ficado ali.
- OK, mas depois me deixe trabalhar, pois estou muito ocupado, tá?
Chega a minha refeição e junto com ela o meu constrangimento. Faço o pedido do menino, e o garçom me pergunta se quero que mande o garoto ir.
Meus resquícios de consciência me impedem de dizer. Digo que está tudo bem.
- Deixe-o ficar. Traga o pão e mais uma refeição decente para ele.
Então o menino se sentou à minha frente e perguntou:
- Tio, o que está fazendo?
- Estou lendo uns e-mails.
- O que são e-mails?
- São mensagens eletrônicas mandadas por pessoas via Internet.
Sabia que ele não iria entender nada, mas a título de livrar-me de maiores questionários disse:
- É como se fosse uma carta, só que via Internet.
- Tio, você tem Internet?
- Tenho sim, é essencial no mundo de hoje.
- O que é Internet, tio?
- É um local no computador onde podemos ver e ouvir muitas coisas,notícias, músicas, conhecer pessoas, ler, escrever, sonhar, trabalhar,aprender. Tem tudo no mundo virtual.
- E o que é virtual, tio?
Resolvo dar uma explicação simplificada, novamente na certeza que ele pouco vai entender e vai me liberar para comer minha refeição, sem culpas.
- Virtual é um local que imaginamos, algo que não podemos pegar, tocar. É lá que criamos um monte de coisas que gostaríamos de fazer. Criamos nossas fantasias, transformamos o mundo em quase como queríamos que fosse.
- Legal isso. Gostei!
- Mocinho, você entendeu o que é virtual?
- Sim, tio, eu também vivo neste mundo virtual.
- Você tem computador?
- Não, mas meu mundo também é desse jeito... Virtual. Minha mãe fica todo dia fora, só chega muito tarde, quase não a vejo. Eu fico cuidando do meu irmão pequeno que vive chorando de fome, e eu dou água para ele pensar que é sopa. Minha irmã mais velha sai todo dia, diz que vai vender o corpo, mas eu não entendo, pois ela sempre volta com o corpo. Meu pai está na cadeia há muito tempo. Mas sempre imagino nossa família toda junta em casa, muita comida muitos brinquedos de Natal, e eu indo ao colégio para virar médico um dia. Isto não é virtual, tio?
Fechei meu note book, não antes que as lágrimas caíssem sobre o teclado.
Esperei que o menino terminasse de literalmente "devorar" o prato dele,paguei a conta e dei o troco para o garoto, que me retribuiu com um dos mais belos e sinceros sorrisos que eu já recebi na vida, e com um
"Brigado tio, você é legal!". Ali, naquele instante, tive a maior prova do virtualismo insensato em que vivemos todos os dias, enquanto a realidade cruel rodeia de verdade, e fazemos de conta que não percebemos!

Autor Desconhecido

quarta-feira, janeiro 07, 2009

"Esta é uma canção sobre esperança ..." Stairway to Heaven (Robert Plant)

Boa noite...
7 de janeiro de 2009

Como estão vocês?
(Vocês quem? rs)
Este blog anda mais morto que um "sem-alma".
Esta é a primeira postagem do ano...
Aconteceu algo interessante hoje. Algo que me fez pensar...

Quando somos criança vemos o mundo "debaixo-para-cima" e é algo "muito louco", dentre outras coisas, tudo parece "grande" demais e inatingível, porém, mais tarde quando algum tempo passa, tudo parece realmente menor e todas as grandes belas coisas não são mais tudo isso.
Hoje estive com uns amigos, bebemos um pouco e quando chegamos ao bar a idéia era:
- Vamos voltar cedo e bem para casa.
Depois de alguns minutos alí, um amigo muito grande - que infelizmente tem muito grande o apetite pelo álcool - mudou de idéia dizendo que queria ficar um pouco mais, mesmo que sozinho, mesmo que seu amanhã se prejudicasse por isso...
- Vou ficar mais!
O outro amigo dentre nós três se manifestou, comentou uma história interessante dessas com "cara de cristã", uma lição de vida, dissertou com múltiplos argumentos, inclusive de que o outro iria trabalhar amanhã pela manhã. Algo para se pensar. Depois disso, sintetizou o conto e mais algumas idéias, a idéia era levar o amigo "1" para casa.
Estava mesmo um clima meio tenso no ar. Eis então que eu levanto e apóio o discurço do amigo "politicamente correto" - o outro precisava mesmo ir embora - então, o que queria ficar mais levantou-se, semi-alcoolizado e - além de tudo - amargando o fim de um relacionamento, me abraçou, disse que iria fazer isso pelo bem dele e de que um dia poderia me ajudar como amigo também...
Partí dalí só, à pé pela rua pensando, pensando, pensando...
Antes - anos antes - uma vitória parecia realmente algo imenso, um belo gesto parecia coisa de super herói, gigante, mas hoje me parece apenas mais uma coisa corriqueira da qual devemos vivenciar dia-a-dia. Eu também semi-alcoolizado e extremamente afim de esticar o "happy hour", neguei! E foi por um amigo que iria se complicar se tivéssemos feito isso.
Pequenas vitórias não devem constituir a vida, mas sim o dia de um grande homem.
- Qual foi sua vitória hoje?
Fiz questão de não escrever isso num corpo poético, mas em um corpo relato, pois não esperava grandes créditos, apenas uma boa mensagem. Pois nesse peito realmente bate um coração muito forte, tão forte que talvez o peito seja muito fraco para suportá-lo.
"Isto não é apenas um relato sobre esperança", mas o diário de um eu, que não diário sempre há de escrever aqui.
Um forte abraço ao(s) leitor(es).
Um feliz e próspero 2009!

quinta-feira, outubro 16, 2008

E me parece que há um espaço

Pensando aqui sobre eu e a vida velha neste mundo novo.
Sobre suas leis e os seus dogmas, as certezas e as super-verdades.
Pensando na vida, nos seus valores, no que devemos e no que deve ser pago.
Pensando nas diferenças entre um e um, entre outro e outro, pensando no que foi pensado.
Pensando no que foi implícito, diferenciado, em quem foi nomeado barão, puta e criado.
No separado tudo junto e no tudo junto separado, no grande vagabundo e no pequeno dedicado.
No célebre diplomático discurso vão, no pequeno garoto que escreve errado.

E me parece que há um espaço, uma vala por onde passam as águas das chuvas, as lágrimas, o leite e o sangue, tudo o que derramado!
E me parece que há um espaço que me separa deste mundo que inventaram, deste absurdo consumado, deste tudo o que foi dito, pregado, decretado, rimado!
E me parece que há um espaço, sem uma ponte que, amigo então, me fizesse chegar ao outro lado, entender como é tudo isso, participar deste conglomerado;
E me fizesse crescer e lutar, viver e amar, para um dia quem sabe ao meu leito de morte suspirar tranqüilo com ar realizado.
Espaço este que não sei o nome, a razão de ser, do intervalo, o porquê de o quê que é o quê que corta meu caminho e me deixa ilhado.
E me parece que há um espaço.

Ederson R. Zanchetta – 16 de outubro de 2008

sexta-feira, setembro 26, 2008

Pronunciamento

Amigos, por favor, um minuto de sua atenção!

Calar-me-ei

Daqui pra frente

Em inerte quietude estarei

Calo-me sim!

Prometo não dizer - a partir de agora - mais uma só palavra!

(...)

Obrigado!

Ederson R. Zanchetta – 22 de setembro de 2008

terça-feira, setembro 23, 2008

Imenso vazio

Você, eu, a sociedade, os dogmas
O poder, o ego, a morte, alguma memória póstuma
O orgulho, a honra, o rancor e o homem
O medo, a traição, qualquer coisa feita do ouro ao bronze
A alienação, o epitáfio, as boas intenções, as leis, a cidadania
Os dias, as guerras, o dinheiro, o amor e a heresia
A lágrima caída, o leite derramado, a moça despida, o território conquistado
Sabe, não sei se este papel ficaria mais completo de vazio
Virgem nu, em branco ou deste jeito assim escrito.

Ederson R. Zanchetta – 22 de setembro de 2008

segunda-feira, setembro 22, 2008

Palavras perdidas

Sem rumo, sem direção
Palavras perdidas, sem um caminho
Palavras desencontradas num branco vazio
De quem um dia lhe escreveu com carinho.
Palavras perdidas sem um ão de então...
De quem para escrever, já não tem mais coração.

Ederson R. Zanchetta – 22 de setembro de 2008

quinta-feira, julho 24, 2008

Rogério Skylab - Puta

Você vai ao samba.
Uma cabrocha só no sapatinho.
Gostosa!!!!!
No final das contas vocês vão pro Motel.
Transam a noite inteirinha.
Trinta dias depois, ela volta grávida
E quer ter o filho.
Conclusão você pagar pensão pro resto da sua vida.
Ela te ama?
Não!!!!!
O quê que ela é então
Puta, é puta!!!!!

Mas você insiste,
Não entrega os pontos
Vai ao Shopping, quer comprar uma calça Lee.
Uma vendedora vem ao seu encontro
E te trata pelo nome, como se vocês fossem íntimos.
Gostosa!!!!
E sensual, provocante...
Você não enxerga mais nada.
Compra calça, cueca, meia, sapato.
Conclusão ela é uma vendedora?
Não!!!!!!
O quê que ela é então
Puta, é puta!!!!!

Cidade do Rio de Janeiro,
Zona sul, garota de Ipanema.
Você quer morar lá.
Tem money?
Não.
Então, não pode não.
Conclusão essa cidade te ama?
Não!!!!!!
O quê que ela é então
Puta, é puta!!!!!

- Calma, quê isso?! Você tá tão revoltado...
Disse a psicanalista diante do meu delírio.
É que todas as coisas que eu via – criança, fábrica, escola... –
Todas elas pareciam putas.
Trinta minutos depois, eu paguei a consulta
E voltei sozinho pra casa.
Com aquela sensação...
Puta, é puta!!!!!!!!!

quarta-feira, julho 02, 2008

Moto-Serra



Tinha 25 anos de amores e sonhos,
você era pra mim, o meu drops de anis. Alecrim.

Era meu rabo de saia, minha doce amada,
linda linda, era tudo o que eu queria. Rosa e jasmim

Mas o tempo foi passando, tempo é louco o tempo,
é todo o tempo, tempo, come o tempo. Chegamos ao fim

Te vi nos braços de um outro,
revirei na cama,
passei a noite em claro,
mas no fim das contas, eu descobri:

Moto-serra, moto-serra,
era a peça que faltava no meu quarto de dormir!
Moto-serra, moto-serra,
hoje entendo porque tu olhavas tanto pro jardim.

Fui serrando seus pezinhos que eram para mim a coisa mais bonita que eu nunca esqueci. Prossegui.
Serrei suas duas mãos que eram diamantes e quando rezavam pareciam conchas de marfim.
Serrei suas duas pernas, os seus dois bracinhos, você ficou sendo
A Venus de Millus do meu jardim.
Te serrei por dentro e fora, te serrei no meio, restou um toquinho, que eu serrei também! Serrei feliz!

Moto-serra, moto-serra,
os pedaços manchados de sangue plantei no jardim.
Moto-serra, moto-serra,
germinaram daqueles pedaços rosas e jasmins.




De: Rogério Skylab

sexta-feira, junho 13, 2008

Eu talvez precisasse de um revolucionário, grande é a disputa interna pela presidência de mim.

Dormindo na minha cama. Estava mesmo um belo dia e eu vinha caminhando pela rua, o céu estava vermelho e aquilo me incomodava, parecia dizer que eu tinha de fazer alguma coisa. Acelerei então meus passos, o suor começava a surgir pelo meu corpo e ofegante eu olhava para todos os lados, mas não deixava de seguir.
- O que é isto?
- O que está havendo?
- Me deixe em paz!
Coisas passavam pela minha cabeça e uma guerra de distante trégua parecia se iniciar ali.
BUUUUUUM!!!!!
Bombas começavam a cair por todos os lados, o fogo subia, correndo e em pânico eu procurava por um abrigo, mas não o encontrara.
RÁ-TÁ-TÁ-TÁ-TÁ... PÁ, PÁ, POW! RÁ-TÁ-TÁ-TÁ-TÁ...
Eu ouvia tiros por todos os lados, eles cruzavam meus olhos, rastejando eu continuava por uma busca desesperada por um lugar seguro, mas de nada adiantava! Todos aqueles ataques, todo aquele fogo, eu era pequeno demais perante tamanho poder de destruição. Quanto ódio, quanto rancor! Talvez eu precisasse de uma revolução, precisasse de um revolucionário, muita coisa estava errada e eu sentia que não suportaria mais por muito tempo.
Eu ali deitado sentia cada vez mais ódio e medo, minha vista já tortuosa e aquilo tudo parecia só aumentar. Foi então que num súbito esforço levantei-me sacando a única arma que portava comigo, um canivete. Cego por revolta e desespero puis-me a esfaquear o ar em todas as direções, queria acabar com aquilo, não pensava mais em nada e estava ali apenas com um canivete na mão, suor e lágrimas escorrendo, berrando e golpeando. Mas tudo não durou mais do que alguns segundos e...
AHHH!
Parece que acertei!
Por um momento o silêncio e a paz tomaram conta de tudo novamente, não mais ouvia disparos e explosões, não mais me sentia ameaçado. Como poderia acabar com tudo aquilo apenas com um canivete?!?!?!
Foi quando virei minha cabeça em direção ao chão, avistei sangue caindo e ao pôr a mão sobre a barriga percebi que minha roupa estava embebida de sangue. Eu acertara a mim mesmo com o canivete. Nada mais se movia rapidamente diante de mim, senti meus joelhos perdendo a força e se dobrando, levou alguns minutos até que os mesmos encontrassem o chão, o sangue não parava de jorrar, mas estava mesmo tudo bem, não sentia desconforto algum.
- Acabou?
- Está tudo bem?
- O que virá agora?
- Todos os meus problemas estão resolvidos?
- Estou vivo ou morto afinal?
(...)
De repente tudo escureceu de uma vez e naquele mais absoluto silêncio dei-me conta de todas estas respostas.
Estava eu o tempo todo dormindo na minha cama.

Ederson Radiz Zanchetta - sexta-feira, 13 de junho de 2008

terça-feira, junho 03, 2008

Sarcasmo

Eu sei de algumas coisas, quando você me vir te direi algumas coisas mais. E quando você achar que eu sei ainda mais, no final não terei lhe dito nada do que sei.




Ederson R. Zanchetta - 03 de junho de 2008

terça-feira, maio 13, 2008

Castelos feitos de areia

Jimi Hendrix
Castles Made of Sand

Você pode escutar o grito dela descendo a rua: "você é uma
desgraça!"
enquanto ela bate a porta na cara embriagada dele
e agora ele fica do lado de fora e os vizinhos
começam a fofocar e conversar

ele chora: "Oh garota, você deve estar louca,
o que aconteceu com o doce amor que eu e você tínhamos?"
ele se inclina sobre a porta e começa uma cena,
e suas lágrimas caem e queimam o jardim verde.

e então os castelos de areia, desabam no mar,
eventualmente

Um pequeno índio valente, que antes de ter 10 anos,
brincava de jogos de guerra nas florestas com seus amigos
índios,
e ele construiu um sonho que quando crescesse,
ele se tornaria um destemido guerreiro chefe indígena.

Muitas luas se passaram e o sonho cresceu mais forte, até
amanhã
ele iria cantar sua primeira música de guerra
e lutaria sua primeira batalha, mas alguma coisa errada
aconteceu,
Um ataque surpresa o matou durante seu sono naquela noite

E então os castelos de areia, desmancham no mar,
eventualmente

Havia uma jovem garota, que tinha o coração franzido
Por ter sido aleijada para o resto da vida,
e não podia emitir um som
E ela rezou e desejou parar de viver, então ela decidiu morrer.
Ela foi com sua cadeira de rodas para a margem da costa
e para suas pernas, ela sorriu

"Vocês não irão me machucar mais."
mas depois ela percebeu algo que nunca viu que a fez saltar e
dizer
"Olha, um navio alado dourado está vindo em minha direção"
e aquilo realmente não havia como parar... apenas continuou
seguindo

e então os castelos de areia deslizam no mar,
eventualmente

Castelos feitos de areia

São Carlos, terça-feira, 13 de maio de 2008.

Completo hoje 22 anos de vida, venho por meio desta, manifestar considerações à toda e qualquer pessoa que ler.
Neste tempo muito vivi, vivi e vi 22 anos de vida, 22 anos de mundo, 22 anos de erros e acertos. É sempre uma alegria de verdade fazer aniversário, fechar ciclos, mesmo para os deprimidos, mesmo para os sorridentes e para os pássaros que não sabem, ver que se completa mais um ano de vida é sempre uma alegria, pois tudo é tão incerto, você é uma certeza, você continua.
As pessoas são feitas de tantas e tantas coisas, são tantos sonhos, medos, contos, nervos, cantos, suspiros, amigos. Ninguém é vazio, ninguém é o mais infeliz do mundo. Apesar de todo o conforto que dizer-se triste traz, ou toda a beleza -que podemos em algum momento- ver em fazê-lo. Nós erramos nesse momento, erramos sim!
A pessoa mais triste do mundo jamais diria que é, a pessoa mais triste do mundo não sabe disso.
Já quando diz-se ser a pessoa mais feliz do mundo, você pode estar cometendo um acerto triunfal!
A pessoa mais feliz do mundo pode ser você no momento em que sentir-se a pessoa mais feliz do mundo. A pessoa mais feliz do mundo não é uma só, pode ser várias simultaneamente, felicidade não se compara.
Em meus 22 anos, conheci muitas coisas, tudo valeu a pena, mesmo as dores, paixões, frustrações e abraços, mesmo os orgasmos e os abusos, os excessos, mesmo os momentos de imprudência e até os momentos em que senti vontade de não completar esta idade hoje. Tudo, absolutamente tudo fez-me o que sou hoje, para os que me admiram, saibam que só cheguei aqui como cheguei hoje porque pisei em plumas e em pedras no passado, e para os que me reprovam, saibam que os caminhos por onde passei -mesmo que lhes traga algum repúdio- ajudaram para que hoje eu possa ter uma idéia melhor de onde posso e onde quero chegar, meus pés podem estar sangrando, mas não estão quebrados.
Algo que aprendi nesta jornada foi que é necessário saber reconhecer, saber enxergar as coisas, reavaliar sempre seus padrões, conceitos e ter paciência, paciência é fundamental para viver melhor, afinal o mundo é mais feio, sujo e pesado do que você, mas você precisa dele.
Ou também, por mais belo, grande, forte, rico que consiga chegar a ser, saiba, somos todos castelos feitos de areia e castelos de areia desmancham no mar eventualmente.